#10 aquele da despedida

Foram 5 meses juntos.

Já havíamos tido um affair rápido em 2010 e de novo em 2011. Foi um daqueles amores arrebatadores que você não sabe explicar como começou.

Agora, durante os 5 meses, um pouco menos affair e um pouco mais de vida real. Afinal, todo relacionamento cai nessa fase alguma hora.
Oscilações de humor. Dúvidas.

Admito que te trai em pensamento algumas vezes, desejando outros que não você. E que muitas vezes hesitei sem saber se devíamos ou não continuar juntos.

Agora, indo embora, tenho a certeza que você foi um grande amor. A saudade vai ser grande, ainda que eu saiba que é o certo a se fazer.

Mas eu sei, nosso caso ainda não acabou. Por isso eu digo: Bue, baby, não me esquece. Ainda volto pra você ♥.

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#9 e mais coisas que vou sentir falta

Aqui em Buenos Aires rola uma reclamação geral de que as roupas encolhem na lavanderia, por causa da secadora.

Dia desses, eu estava conversando com minha mãe no telefone e reclamando que uma calça jeans minha não estava cabendo mais em mim. Alegria é ver sua mãe dizer que calça jeans não encolhe. Comida é que engorda.

Sinceridades maternas à parte, além do excesso de bagagem que eu vou ter que pagar, vou levar comigo, pro Brasil, uns quilinhos extras, oferecimentos de Bue.

Pra quem gosta de doces, essa cidade é a perdição forever.  É impossível resistir às deliciosas docerias espalhadas por todo lugar. Além de super gostosas, as comidas – e os restaurantes- enchem os olhos de tão bonitas.

Andando na rua, você encontra milhões de lugares, espécies de padarias especializadas, que vendem facturas. As facturas são como se fossem vários tipos de pão doce e é impossível não se viciar em pelo menos uma delas. As medialunas são as mais conhecidas, creio eu, e são indispensáveis no café da manhã portenho.

foto retirada do facebook da oh my pan!

Um dos lugares que eu mais gostava de comprar essas delícias era uma padaria em Palermo, a Oh My Pan! Admito que o que me chamou a atenção foi mais a fofura da loja. Essas etiquetas de coraçãozinho são o amor.

Ainda falando em fofura, não posso esquecer do café mais lindo ever. O Pani conquistou meu coração desde o primeiro dia. O ambiente é super bonito, e dá pra ver que toda a decoração foi milimetricamente planejada. A comida de lá é muito boa, mas não há quem negue que é a ambientação dá toda uma bossa àquele chá da tarde.  O mais legal é que lá tem opção pra todos os gostos. Não são só as loucas por doce, como eu, que vão gostar de lá. Tem salgados também e, das opções que provei, são sempre muito bons.

Gostei tanto da decoração do Pani que resolvi, inclusive, levar um projeto meu para ser fotografado lá. Afirmei todo meu amor por doces em um baralho todo inspirado neles. O ambiente do café foi o complemento massa pra dar o toque sweet. Pra quem ficar curioso e quiser ver, o resultado tá aqui.

#8

Eu amo design gráfico e sou do tipo que escolhe o livro pela capa. Sem julgamentos, mas eu sou dessas que dá um certo valor à apresentação. Das coisas que vou sentir falta daqui, com certeza a valorização da cultura e da arte estão na lista.

Voltando ao assunto de como eu gosto de poder me deslocar pros lugares caminhando livremente, como se não houvesse amanhã, melhor ainda é poder fazer isso admirando a paisagem e ver diversos tipos de manifestações artísticas se misturando no entorno. Lindo demais é ir por caminhos aparentemente ‘sem graça’ e se deparar com verdadeiras obras de arte nas paredes. Adoro essas surpresas boas que deixam o percurso mais interessante.

O que também é legal daqui é que até o cafezinho da esquina tem uma decoração digna. Vou sentir falta de escolher o restaurante só porque eu acho que o cardápio de lá é lindo ou porque a paleta de cores usada na ambientação é compatível com meu coração ♥. É bonito de se ver como o visual dos lugares é valorizado aqui.

E as vitrines das lojas de Palermo Soho? Morri pra sempre. Ir andando pro curso nem era tão ruim quando eu passava admirando mais a loja do que as roupas, realmente.

Acho que se eu fosse mais frenética com minha câmera, voltaria com zilhões de fotos só dessas besteirinhas lindas que eu achava por aqui.

#8 das coisas que vou sentir falta

Quando eu estava em Recife, o supermercado mais próximo da minha casa estava há mais ou menos 1 km. Posso contar nos dedos quantas vezes eu fui andando até lá. Na verdade, eu posso contar nos dedos as vezes que resolvi algo em Recife dependendo apenas dos meus pés.

No começo, quando me mudei pra Buenos Aires, achava surreal quando as pessoas diziam ‘Ah, é pertinho. Deve ser há umas 10 quadras mais ou menos’. Quê? 10 quadras andando em Recife e eu tinha a convicção de que ia começar a ver miragens e morrer no calor escaldante.

A primeira coisa que eu coloco na minha lista das coisas que vou sentir falta de Buenos Aires é a mobilidade urbana. Veja só, em Recife eu estudava na UFPE e dependia do lendário Candeias-Dois Irmãos. Pra quem não conhece a distância que esse ônibus percorre, eu posso resumir como A VOLTA AO MUNDO. Duas vezes.

Então, vir morar em Palermo, o bairro onde estava minha escola, me proporcionou condicionar minha rotina a depender apenas de caminhada. Dificilmente precisei de ônibus pra me deslocar e sempre que precisei peguei sem dificuldades nem medo de ser feliz, ainda que fossem 2 horas da manhã. Imagina? De onde eu venho, 22h já é tarde o suficiente pra me deixar com medinho de pegar ônibus sozinha. Gente, se fui pobre, não lembro!

Morar aqui me fez notar que mais da metade do meu estresse diário se concentra na dificuldade de deslocamento na cidade do Recife. Se pego ônibus, preciso reservar 1 hora a mais pro tempo de espera, além de me desprender do que eu ainda tenho de vaidade, já que o caos de pessoas lhe deixa com cara de fim de festa. Se vou de carro, gasto rios de dinheiro em gasolina, e preciso de uma playlist bem massa pra me distrair do trânsito infernal. De bicicleta, se não tiver medo de morrer e a pé, se tiver disposta a andar uma vida, já que nada é perto.

Aqui as pessoas conseguem ser mais desprendidas de um carro. É massa ver muita gente andando de bicicleta, skate e até patins no meio da rua e notar um mínimo de respeito dos motoristas com esses meios alternativos de transporte.

Das coisas que vou sentir falta tem essa vontade de ter uma bicicleta linds com uma cesta de florzinhas pra sair por aí.

#7 e como viajar com muitos de seus amigos durante 5 meses

Quando marquei minha viagem, muitas pessoas me perguntaram porque eu escolhi a Argentina como destino para estudo. Eu nem sequer sabia o idioma e me sentia claramente mais confortável num lugar de língua inglesa. A justificativa é bem sincera: o dinheiro. Buenos Aires era um lugar mais ace$$ível, ainda que não tanto quanto há alguns anos atrás, com cursos relativamente baratos, além de que seria uma ótima oportunidade de aprender castellano na prática.

Acho que minha escolha foi excelente também no quesito distância até o Brasil. Morar sozinha pode ser meio duro as vezes e, assim, eu tive a oportunidade de receber muitas pessoas na minha casa. Pela facilidade de encontrar promoções sinceras pra viajar até aqui, pude mostrar à vários amigos, novos e antigos, os lugares que mais gosto em Buenos Aires.

Não é todo lugar que tem essa vantagem e foi muito bom poder ajudar um bocado de gente e me sentir a entendida de Bues ahahahahaha. No final da viagem vou voltar tendo vivido experiências com gente daqui e gente de lá. Pra mim esse é o mais genial. Poder dividir tudo isso e ter história pra contar com amigos que fiz e com os que vou reencontrar já já. (:

#6 a escola

Quem resolve viajar pra estudar, certamente escolhe a instituição de estudo por meio de indicações ou pesquisa em outras fontes. É claro que quem sai do seu país para fazer um curso não só pensa nos estudos, como também considera o local onde vai morar. Muitas vezes o local pesa mais, até. Por questões que vão desde o desejo de conhecer até as financeiras.

Pras pessoas que realmente estão viajando para estudar – sendo festas, socialização e turismo consequências secundárias da situação – é essencial procurar saber BEM sobre o lugar onde vai se matricular. Digo isso porque me arrependo um pouco de não ter buscado mais referências sobre a escola que escolhi.

Decidi fazer um curso na Brother, mas acabei descobrindo um pouco tarde que não era bem o que eu estava buscando. Não que a escola seja ruim. Acho que tem milhões de pessoas pra dar depoimentos de como a Brother mudou sua vida profissional. Inclusive conheci algumas aqui e vibrei muito quando vi que as coisas realmente dão certo pra quem se esforça.

Mas é como me disseram uma vez, devem ter escolas geniais para aprender, sei lá, história da civilização Asteca. A questão MESMO é: é isso mesmo que eu tô buscando?

Não quero entrar nos méritos de se a Brother é boa ou não. Pra maioria das pessoas funciona e é genial. Para mim, foi um pouco decepcionante e logo depois muito esclarecedora sobre o quero fazer da vida, na verdade. No fim, até que me serviu, haha. Não era o que eu tava buscando, apenas.

Os professores são sensacionais e os contatos feitos lá são importantíssimos pra quem pensa em trabalhar por aqui. Ainda assim, eu tenho algumas considerações a fazer pra quem pensa em estudar nela:

1. A escola é muito desorganizada. Se você se incomoda com atrasos e falta de planejamento de aula, esqueça.
2. Não indico nenhum curso que não seja o anual. Não conheço bem o sistema de todos os cursos mais curtos, então não posso falar muito, mas acho que, se você tem condições, o ideal é aproveitar o ano todo na escola. Minha escolha foi fazer o Brother Late, que é deveria ser um curso intensivo com a mesma carga do anual. Bem, assim é como eles vendem, mas a verdade é que eu paguei o mesmo valor integral de quem estudou o ano todo, pra ter menos aulas e ser encaixada na turma das pessoas que já estavam desde o começo sem a menor cerimônia. Sou só eu, ou é meio bizarro você chegar numa escola pra pegar as aulas no meio do processo todo?
3. Não espere aprender muita coisa. O curso, ao meu ver, funciona mais como um curso de portfólio onde você vai ter a assessoria dos professores pra realizar suas tarefas.
4. Tenha foco. A escola é boa, mas só se você souber cobrá-la seu potencial. Saiba escolher que trabalhos fazer e se esforce pra que saiam bons. Faça, refaça, encha o saco dos professores pedindo opinião. Assim fica mais fácil ter do que se orgulhar no fim de tudo (:

#5 sendo educado

Mãe, eu sei que você me educou com tanto cuidado e carinho, mas eu queria dizer que estou sendo mal-educada em Buenos Aires. Eu, que tanto prezei pela gentileza e bons modos, descobri que meus bons modos não são assim tão bons aqui.

Explico.

Situação 1:

Você chega atrasado na aula e todos já estão devidamente acomodados fingindo ouvir atentamente ao professor, enquanto brincam com seus iphones. Pra sentar, você passa por um grupo de amigos seus. Você:

a) Finge que ninguém notou sua presença e senta o mais rápido possível, rezando pra que não tenha interrompido a aula.
b) Fala um rápido ‘e ai?’ pras pessoas e senta.
c) Cumprimenta seus amigos com um beijinho em cada um. Ai, já que a essa altura o professor notou sua presença, você dá um beijinho no professor também e senta como se nada tivesse acontecido.

Nessa dai eu marquei ‘a’. Não me julguem, mas eu me sinto super constrangida de interromper aula ):

Situação 2:

Você está indo embora de um lugar onde tem 10 pessoas conversando entre si. 4 delas você conhece de vista. De 1 delas você é realmente amigo. Você:
a) Dá um tchau geral e vai embora.
b) Cumprimenta as 5 pessoas que você mais conhece com beijinho, dá um tchau geral e vai embora.
c) Cumprimenta as 10 pessoas com beijinho, como se fossem seus melhores amigos da vida toda e vai embora.

Marquei ‘b’ e fui reprovada. Se você não marcou ‘c’ nas duas, você possivelmente seria reprovado também, sorry.

Pra quem estiver vindo pra cá algumas dicas são importantes.

1. Aqui os nossos dois beijinhos são substituídos por um só.
2. Os homens também se cumprimentam com beijinhos sem nenhum tipo de constrangimento.
3. Não importa se você nunca viu a face do cidadão que estava falando com o grupo de conhecidos seus. Ele também merece um beijinho de despedida.
4. Se você tem preguiça, vergonha ou qualquer outra alternativa que lhe tira a vontade de cumprimentar com beijinho aquele grupo de 15 pessoas, uma a uma, parabéns! Você é tão mal-educado quanto eu! 🙂

#4 saindo da zona de conforto

Até hoje eu me pergunto de onde tirei tanta motivação pra vir estudar em BsAs. Claro, eu sei os motivos óbvios. A cidade é linda, o curso parecia ser massa e eu queria experimentar estudar fora do meu país.

Mas as vezes é difícil querer sair da sua zona de conforto. Eu estava saindo da casa da minha mãe pra ir morar sozinha num país com uma língua que eu mal conseguia falar e sem conhecer uma pessoa sequer na cidade. Pra mim, a pessoa mais tímida em linha reta do mundo, o desafio de encarar um primeiro dia de aula em outra língua sem subtítulos foi surreal. E essa deve ter sido a parte mais desafiadora.

Passado todo trauma do começo, acho que foi genial! Coisas que eu nunca tive coragem de fazer, estando na minha zona de conforto, eu me forcei aqui e foi muito bom. Fiz a juju carente e sai conhecendo um monte de gente. O mais engraçado é que conheci pessoas da minha cidade que eu nunca conheceria lá. Foi preciso vir pra Buenos Aires pra descobrir tanta gente massa que sempre esteve tão perto de mim.

Sair da zona de conforto é a parte mais divertida da experiência. É assim que você aprende que é bom na cozinha, que entender mapas é menos complicado do que pensa e que patins eram mais fáceis de andar na sua lembrança de criança. É bom também pra descobrir que coisas que você pensava que eram legais, nem são tão legais assim (oi, frio!).  Buenos Aires é uma cidade incrível e ficar cheio de por quês e pra quês só vai impedir que sua viagem seja ainda mais interessante.

Pra quem vem morar, a dica é não se deixar cair na rotina. E sério, com as possibilidades desse lugar, só fica na rotina quem quer.

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