#9 e mais coisas que vou sentir falta

Aqui em Buenos Aires rola uma reclamação geral de que as roupas encolhem na lavanderia, por causa da secadora.

Dia desses, eu estava conversando com minha mãe no telefone e reclamando que uma calça jeans minha não estava cabendo mais em mim. Alegria é ver sua mãe dizer que calça jeans não encolhe. Comida é que engorda.

Sinceridades maternas à parte, além do excesso de bagagem que eu vou ter que pagar, vou levar comigo, pro Brasil, uns quilinhos extras, oferecimentos de Bue.

Pra quem gosta de doces, essa cidade é a perdição forever.  É impossível resistir às deliciosas docerias espalhadas por todo lugar. Além de super gostosas, as comidas – e os restaurantes- enchem os olhos de tão bonitas.

Andando na rua, você encontra milhões de lugares, espécies de padarias especializadas, que vendem facturas. As facturas são como se fossem vários tipos de pão doce e é impossível não se viciar em pelo menos uma delas. As medialunas são as mais conhecidas, creio eu, e são indispensáveis no café da manhã portenho.

foto retirada do facebook da oh my pan!

Um dos lugares que eu mais gostava de comprar essas delícias era uma padaria em Palermo, a Oh My Pan! Admito que o que me chamou a atenção foi mais a fofura da loja. Essas etiquetas de coraçãozinho são o amor.

Ainda falando em fofura, não posso esquecer do café mais lindo ever. O Pani conquistou meu coração desde o primeiro dia. O ambiente é super bonito, e dá pra ver que toda a decoração foi milimetricamente planejada. A comida de lá é muito boa, mas não há quem negue que é a ambientação dá toda uma bossa àquele chá da tarde.  O mais legal é que lá tem opção pra todos os gostos. Não são só as loucas por doce, como eu, que vão gostar de lá. Tem salgados também e, das opções que provei, são sempre muito bons.

Gostei tanto da decoração do Pani que resolvi, inclusive, levar um projeto meu para ser fotografado lá. Afirmei todo meu amor por doces em um baralho todo inspirado neles. O ambiente do café foi o complemento massa pra dar o toque sweet. Pra quem ficar curioso e quiser ver, o resultado tá aqui.

Anúncios

#8

Eu amo design gráfico e sou do tipo que escolhe o livro pela capa. Sem julgamentos, mas eu sou dessas que dá um certo valor à apresentação. Das coisas que vou sentir falta daqui, com certeza a valorização da cultura e da arte estão na lista.

Voltando ao assunto de como eu gosto de poder me deslocar pros lugares caminhando livremente, como se não houvesse amanhã, melhor ainda é poder fazer isso admirando a paisagem e ver diversos tipos de manifestações artísticas se misturando no entorno. Lindo demais é ir por caminhos aparentemente ‘sem graça’ e se deparar com verdadeiras obras de arte nas paredes. Adoro essas surpresas boas que deixam o percurso mais interessante.

O que também é legal daqui é que até o cafezinho da esquina tem uma decoração digna. Vou sentir falta de escolher o restaurante só porque eu acho que o cardápio de lá é lindo ou porque a paleta de cores usada na ambientação é compatível com meu coração ♥. É bonito de se ver como o visual dos lugares é valorizado aqui.

E as vitrines das lojas de Palermo Soho? Morri pra sempre. Ir andando pro curso nem era tão ruim quando eu passava admirando mais a loja do que as roupas, realmente.

Acho que se eu fosse mais frenética com minha câmera, voltaria com zilhões de fotos só dessas besteirinhas lindas que eu achava por aqui.

#8 das coisas que vou sentir falta

Quando eu estava em Recife, o supermercado mais próximo da minha casa estava há mais ou menos 1 km. Posso contar nos dedos quantas vezes eu fui andando até lá. Na verdade, eu posso contar nos dedos as vezes que resolvi algo em Recife dependendo apenas dos meus pés.

No começo, quando me mudei pra Buenos Aires, achava surreal quando as pessoas diziam ‘Ah, é pertinho. Deve ser há umas 10 quadras mais ou menos’. Quê? 10 quadras andando em Recife e eu tinha a convicção de que ia começar a ver miragens e morrer no calor escaldante.

A primeira coisa que eu coloco na minha lista das coisas que vou sentir falta de Buenos Aires é a mobilidade urbana. Veja só, em Recife eu estudava na UFPE e dependia do lendário Candeias-Dois Irmãos. Pra quem não conhece a distância que esse ônibus percorre, eu posso resumir como A VOLTA AO MUNDO. Duas vezes.

Então, vir morar em Palermo, o bairro onde estava minha escola, me proporcionou condicionar minha rotina a depender apenas de caminhada. Dificilmente precisei de ônibus pra me deslocar e sempre que precisei peguei sem dificuldades nem medo de ser feliz, ainda que fossem 2 horas da manhã. Imagina? De onde eu venho, 22h já é tarde o suficiente pra me deixar com medinho de pegar ônibus sozinha. Gente, se fui pobre, não lembro!

Morar aqui me fez notar que mais da metade do meu estresse diário se concentra na dificuldade de deslocamento na cidade do Recife. Se pego ônibus, preciso reservar 1 hora a mais pro tempo de espera, além de me desprender do que eu ainda tenho de vaidade, já que o caos de pessoas lhe deixa com cara de fim de festa. Se vou de carro, gasto rios de dinheiro em gasolina, e preciso de uma playlist bem massa pra me distrair do trânsito infernal. De bicicleta, se não tiver medo de morrer e a pé, se tiver disposta a andar uma vida, já que nada é perto.

Aqui as pessoas conseguem ser mais desprendidas de um carro. É massa ver muita gente andando de bicicleta, skate e até patins no meio da rua e notar um mínimo de respeito dos motoristas com esses meios alternativos de transporte.

Das coisas que vou sentir falta tem essa vontade de ter uma bicicleta linds com uma cesta de florzinhas pra sair por aí.

Digite seu endereço de email para acompanhar esse blog e receber notificações de novos posts por email.

Junte-se a 8 outros seguidores

quem?


Rayanne Andrade, publicitária, 24 anos, recifense.


Rhanna Andrade, designer gráfico, 21 anos, recifense :}